Campo Grande (MS), Domingo, 16 de Junho de 2024

INTERIOR

Indígenas sofrem violência durante retomada de terras em Naviraí e Amambai

24/06/2022

16:25

Bianca Bianchi

©DIVULGAÇÃO

Em duas ações de retomadas de terras que aconteceram quase que simultaneamente, uma em Naviraí e outra em Amambai, no interior de Mato Grosso do Sul, indígenas Kaiowá e Guarani foram atacados por homens armados.

Em Naviraí (MS), um grupo formado por cerca de 30 indígenas foi atacado com tiros disparados por fazendeiros locais e policiais das forças de segurança pública durante a retomada de seu território ancestral denominado Kurupi/São Lucas. O episódio de violência só teve fim na manhã desta sexta-feira (24), com indígenas feridos e três pessoas desaparecidas após o ataque, sendo duas mulheres e uma criança de sete anos.

Na noite de quinta-feira, o grupo havia avançado preliminarmente até uma área de pastagem e decidiram ocupar a sede de uma fazenda que se encontra dentro de seu território. A retomada, segundo os indígenas, se justifica pelas diversas ameaças que voltaram a sofrer dos fazendeiros na região e, ao mesmo tempo, por medo das demarcações sofrerem retrocessos no atual cenário político em que a Funai está inserida e com a retirada de pauta do julgamento do Recurso Extraordinário. 

O grupo aguarda há décadas a conclusão dos estudos que já identificaram a área como de posse tradicional dos Guarani e Kaiowá. 

Guapoy/Amambai

Após retomarem parte do território de Guapoy, no município de Amambai (MS), na tarde desta quinta-feira (23), indígenas Kaiowá e Guarani tiveram a área invadida por policiais militares e fazendeiros na manhã desta sexta-feira (24).

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), houve disparo de balas de borracha da polícia contra os indígenas, deixando ao menos seis feridos – dois deles que estão em estado mais grave serão atendidos na Capital. Também há informações de que haveria policiais feridos.

A reserva de Amambai é a segunda maior do estado de Mato Grosso do Sul em número populacional, com quase 10 mil indígenas.

Presidente da comissão de Direitos Humanos e uma das poucas que defendem as causas dos povos originários no estado, a vereadora Camila Jara (PT) cobra que o Estado se posicione para o fim dos conflitos. “Naquela região, existe um longo histórico de confronto entre fazendeiros e indígenas, com uma série de violações e muita violência. É um absurdo que a questão indígena não seja tratada como prioridade no Estado que tem a segunda maior população indígena do país. Enquanto o Estado não tomar para si a responsabilidade pela questão agrária, só teremos dor e sofrimento”, afirmou.

Para Matias Rempel, coordenador do CIMI/MS, esse tipo de confronto só tende a ser mais frequente, pois há grupos que aguardam o processo de demarcação das terras há mais de 20 anos. 

“Na inoperância do Estado, os indígenas vão vivendo em péssimas condições, montam acampamentos na beira de estrada, e decidem entrar nas terras para plantar para ter o que comer, para sobreviver”, explica Matias.

Além disso, as tentativas do atual Governo de anular os processos demarcatórios, de aprovar o Marco Temporal, além de todo o discurso anti-indígena do presidente Bolsonaro, ameaçam as populações indígenas. 

“A demarcação é necessária e é urgente para garantir segurança jurídica não só para os indígenas como também para os fazendeiros. E quem sabe assim as notícias de confrontos como esse sejam mais raras”, finalizou Matias. 

*Com informações do CIMI e da Apib.


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