Campo Grande (MS), Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

Política / Polícia

Irmão de técnica que acusa Magno Malta de agressão diz que ela está abalada e cobra investigação

Profissional registrou boletim de ocorrência contra o senador após exame no Hospital DF Star; parlamentar nega agressão física e verbal

02/05/2026

09:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O irmão da técnica em radiologia que denunciou o senador Magno Malta (PL-ES) por suposta agressão durante atendimento médico afirmou que a jovem está emocionalmente abalada e que a família espera justiça. O caso foi registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após um exame realizado no Hospital DF Star, em Brasília, na quinta-feira, 30 de abril.

Segundo a vítima, o parlamentar teria dado um tapa em seu rosto e a chamado de “imunda” e “incompetente” depois de um problema durante a aplicação de contraste em uma angiotomografia de tórax e coronárias. Magno Malta nega ter praticado agressão física ou verbal e afirma que reagiu à dor intensa provocada pelo extravasamento do contraste.

Família diz que técnica está emocionalmente abalada

Em entrevista à coluna Na Mira, o irmão da profissional, que preferiu não se identificar, disse que a família está indignada com o episódio e que a técnica ficou muito abalada após o atendimento.

Minha irmã está muito abalada emocionalmente”, afirmou.

Segundo ele, a vítima tentou formalizar a denúncia presencialmente em uma delegacia, mas não teria conseguido. O boletim de ocorrência acabou sendo registrado de forma on-line, com apoio do Hospital DF Star.

O irmão também cobrou responsabilização do senador.

Esse senador tem que estar preso”, disse.

Imagens de câmeras já estão com a Polícia Civil

De acordo com as informações relatadas, imagens das câmeras de segurança do hospital já estão em posse da Polícia Civil do Distrito Federal. O material deverá ser analisado durante a investigação para esclarecer as circunstâncias do atendimento e verificar a dinâmica do episódio.

A apuração também deve considerar o boletim de ocorrência, os relatos da profissional, eventuais registros internos do hospital, prontuários, depoimentos de integrantes da equipe médica e a versão apresentada pelo senador.

Exame foi interrompido após oclusão no equipamento

A técnica relatou que Magno Malta estava internado para realizar uma angiotomografia de tórax e coronárias. Ela era responsável por conduzir o parlamentar até a sala de exames, fazer a monitorização e iniciar os procedimentos necessários, incluindo o teste do acesso venoso com soro.

Segundo o depoimento, ao iniciar a injeção de contraste, o equipamento identificou uma oclusão e interrompeu automaticamente o procedimento. Ao verificar o problema, a profissional constatou que o contraste havia extravasado no braço do paciente.

Esse tipo de intercorrência ocorre quando o líquido aplicado não segue corretamente pela veia e acaba infiltrando nos tecidos ao redor do local da punção, o que pode causar dor, inchaço e desconforto.

Profissional relata tapa no rosto e xingamentos

Ainda conforme o relato da vítima, ela explicou ao senador que seria necessário fazer compressão no local afetado pelo extravasamento. Nesse momento, segundo a profissional, Magno Malta teria reagido de forma agressiva.

A técnica afirma que o parlamentar se levantou do aparelho e, quando ela se aproximou para prestar assistência, teria desferido um tapa em seu rosto. De acordo com o depoimento, a força do golpe chegou a entortar seus óculos.

A vítima também declarou ter sido chamada de “imunda” e “incompetente”.

Assustada, a profissional deixou a sala e acionou outros integrantes da equipe, incluindo uma enfermeira e um médico. Segundo o relato registrado, o senador teria recusado atendimento posterior.

Técnica relatou dor, vermelhidão e medo de novo encontro

No boletim de ocorrência, a profissional informou ter sentido dor e apresentado vermelhidão no rosto após o episódio. Ela também declarou temer um novo encontro com o parlamentar.

O caso foi formalizado junto à PCDF e será investigado. Até a conclusão da apuração, a denúncia se baseia no relato da profissional, nas informações prestadas pelo hospital, nas imagens que estão com a polícia e na versão apresentada pela defesa de Magno Malta.

Hospital afirma que presta suporte à colaboradora

Procurado, o Hospital DF Star informou, em nota, que está prestando suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão.

A unidade também declarou estar à disposição das autoridades para fornecer todos os esclarecimentos necessários durante a investigação. O hospital abriu ainda uma apuração administrativa para verificar as circunstâncias do episódio.

Senador alega falha técnica e dor intensa

Magno Malta apresentou outra versão sobre o caso. Em nota, o senador afirmou que houve falha técnica no acesso venoso e disse ter alertado diversas vezes que o procedimento estava incorreto e causava fortes dores.

Diante da situação e da forma como foi tratado, o senador deixou sozinho a sala de exames. Ressalta-se que Magno Malta possui dificuldades de locomoção e poderia ter sofrido queda ou agravamento do quadro, o que evidencia a gravidade da condução adotada”, diz a nota.

Questionado especificamente sobre a suposta agressão, o parlamentar afirmou que se recorda apenas da dor intensa provocada pelo extravasamento do contraste.

Assessoria jurídica nega violência física e verbal

Em nova manifestação, divulgada pela assessoria jurídica do senador, a defesa afirmou que Magno Malta estava sob forte medicação, com a cognição afetada pelo quadro clínico e sentindo dores intensas.

Segundo a nota, o parlamentar teria reagido ao sofrimento físico, e não à pessoa da técnica.

Sob forte medicação, com a cognição afetada pelo quadro clínico instalado e sentindo dores intensas, reagiu ao sofrimento físico e não à pessoa da técnica, acionando imediatamente o médico responsável pelo acompanhamento”, afirmou a defesa.

A assessoria jurídica também declarou que o senador não praticou ato de violência física contra a profissional e não proferiu palavras ofensivas que não fossem, segundo a versão da defesa, manifestações decorrentes da dor.

Internação ocorreu após mal-estar a caminho do Congresso

Magno Malta foi hospitalizado na quinta-feira, 30 de abril, depois de passar mal enquanto seguia para o Congresso Nacional. O parlamentar iria acompanhar a sessão que analisou o veto presidencial ao PL da Dosimetria, proposta que trata da revisão de penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que estava bem e em recuperação após passar por exames.

Estou no hospital. Acabei de fazer uma tomografia e, graças a Deus, estou bem. Queria estar no plenário para me pronunciar, porque hoje é um dia muito importante. Mas estou bem. Vou voltar mais forte”, declarou.

Investigação deve esclarecer versões conflitantes

A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal deverá esclarecer se houve agressão, quais foram as circunstâncias do atendimento e se há elementos que confirmem ou afastem as versões apresentadas.

O caso envolve duas narrativas opostas. De um lado, a técnica afirma ter sido agredida fisicamente e ofendida verbalmente durante o exame. De outro, o senador nega a agressão e sustenta que houve falha no procedimento, dor intensa e desorientação causada pelo quadro clínico.

A análise das imagens de segurança, dos registros hospitalares e dos depoimentos será determinante para a apuração dos fatos e para a definição das medidas cabíveis.


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