Campo Grande (MS), Sexta-feira, 06 de Março de 2026

Política / Eleições 2026

Saída de João Henrique Catan do PL reacende disputa interna e impõe dilema político a Capitão Contar em MS

Movimento do deputado rumo a novo partido pressiona liderança conservadora e reconfigura cenário da direita para 2026

06/03/2026

15:00

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

A desfiliação do deputado estadual João Henrique Catan do Partido Liberal (PL) trouxe novos desdobramentos ao cenário político da direita em Mato Grosso do Sul, reacendendo debates sobre alianças partidárias e estratégias para as eleições estaduais de 2026.

Durante discurso na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), Catan justificou sua saída afirmando que lideranças e militantes conservadores vêm “perdendo protagonismo” dentro da sigla e sendo, segundo ele, “escanteados” nas decisões políticas do partido.

A movimentação abre espaço para uma possível reconfiguração das forças conservadoras no Estado, especialmente diante de sinais de que o parlamentar pode se filiar ao Partido Novo com o objetivo de disputar o Governo de Mato Grosso do Sul em 2026.

Pressão sobre Capitão Contar

A decisão de Catan também projeta pressão política sobre outra figura importante do campo conservador no Estado: o ex-deputado estadual Capitão Renan Contar.

Nas eleições de 2022, Contar chegou ao segundo turno da disputa pelo governo com um discurso fortemente baseado na crítica à política tradicional e no enfrentamento à gestão do então governador Reinaldo Azambuja.

Atualmente, porém, Contar está filiado ao PL, partido que mantém articulação política com o grupo de Azambuja e do atual governador Eduardo Riedel (PP) para a formação de alianças visando o pleito de 2026.

Essa aproximação foi reforçada publicamente pela cúpula nacional do PL, com manifestações do senador Flávio Bolsonaro e do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto.

Tensão com base conservadora

A permanência de Contar no PL, em um ambiente político alinhado ao grupo que anteriormente criticava, tem provocado desconforto entre setores do eleitorado conservador, especialmente entre apoiadores mais ideológicos do chamado “bolsonarismo raiz”.

Durante o anúncio de sua saída, João Henrique Catan também apontou sinais de desmobilização dentro da sigla.

Segundo o parlamentar, há “falta de ânimo e de conexão” com a base conservadora, além da percepção de que lideranças do campo ideológico estariam sendo subaproveitadas na atual estrutura partidária.

Possível reconfiguração da direita

Nos bastidores da política estadual, a leitura de alguns atores aponta que a construção de uma frente conservadora independente poderia passar por um novo alinhamento partidário.

Nesse contexto, uma eventual migração de Capitão Contar para a mesma legenda que venha a receber Catan surge como hipótese capaz de reagrupar lideranças da direita fora da aliança com o governo estadual.

Esse movimento permitiria recuperar o discurso de renovação política e oposição ao establishment, narrativa que marcou a campanha de Contar em 2022.

Estrutura partidária x coerência ideológica

O cenário coloca duas estratégias distintas em disputa dentro do campo conservador sul-mato-grossense:

  • Manter-se no PL, garantindo estrutura partidária robusta, maior tempo de televisão e acesso a recursos eleitorais;

  • Migrar para uma nova sigla, preservando a coerência ideológica exigida por parte da base conservadora.

O desfecho dessas articulações poderá definir se a direita em Mato Grosso do Sul caminhará unificada em torno de uma estratégia institucional ou fragmentada por divergências ideológicas na corrida eleitoral de 2026.


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