Política / Eleições
Disputa por palanques de Lula e Flávio Bolsonaro tensiona corrida ao Governo de Minas
Movimentos de PL e União Brasil reconfiguram alianças e ampliam indefinição sobre candidaturas estaduais
19/02/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A ausência de palanques definidos em Minas Gerais para os dois nomes mais competitivos nas pesquisas presidenciais — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — passou a influenciar diretamente a articulação para a sucessão estadual em 2026.
O cenário nacional repercute nos bastidores mineiros, especialmente após movimentos recentes de PL e União Brasil, partidos que integram a base do governador Romeu Zema (Novo). As duas legendas eram consideradas potenciais aliadas do vice-governador Mateus Simões (PSD), apontado como candidato apoiado por Zema ao Palácio Tiradentes.
Dirigentes do PL afirmam que a participação da legenda em eventual chapa estadual estará condicionada ao apoio formal à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A exigência colide com compromissos assumidos anteriormente por Mateus Simões, que ao deixar o Novo e se filiar ao PSD, reiterou que o palanque presidencial em Minas seria o do governador Romeu Zema.
“O palanque em Minas é do governador Romeu Zema”, declarou Simões à época, citando entendimento com o presidente do PSD, Gilberto Kassab.
A decisão do PL também passa pelo deputado federal Nikolas Ferreira, principal liderança da sigla no estado. Embora haja pressão para que ele dispute o governo mineiro, o parlamentar tem sinalizado preferência por tentar a reeleição à Câmara dos Deputados.
Outra alternativa cogitada dentro do campo bolsonarista é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aparece bem posicionado em levantamentos de intenção de voto, mas ainda não confirmou candidatura.
Se o PL já impunha incertezas, a federação formada por União Brasil e PP também entrou em compasso de revisão. O vice-governador havia tratado a aliança como consolidada, inclusive com promessa de apoio à candidatura ao Senado do secretário de Governo Marcelo Aro (PP).
Contudo, mudanças internas alteraram o equilíbrio político. O diretório estadual do União Brasil deixou de ser comandado pelo deputado federal Delegado Marcelo Freitas e passou ao controle de Rodrigo de Castro, aliado do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A movimentação é atribuída a articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e fortalece a hipótese de migração de Rodrigo Pacheco para o partido, cenário que poderia reposicionar completamente a disputa.
Simões declarou ter acordo firmado com os presidentes nacionais da federação, Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), e afirma não ter sido comunicado sobre qualquer ruptura.
A federação União-PP reúne atualmente 107 deputados federais, constituindo a maior bancada da Câmara, fator relevante pelo impacto no tempo de propaganda eleitoral.
O nome de Rodrigo Pacheco surge como alternativa competitiva para liderar um palanque de apoio à reeleição de Lula em Minas. Em encontro recente com o presidente, o senador reafirmou sua intenção de encerrar a carreira política, mas deixou aberta a possibilidade de candidatura caso não surja alternativa viável.
Enquanto a indefinição persiste, o PT mineiro avalia nomes como plano alternativo. Entre os cotados estão:
Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia Legislativa;
Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte;
Sandra Goulart, reitora da UFMG;
Josué Gomes, ex-presidente da Fiesp.
Até o momento, não houve consolidação de candidatura alternativa. A única definição interna do partido é a pré-candidatura da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ao Senado.
Outros nomes mencionados para a disputa senatorial incluem Alexandre Kalil e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
A disputa pelo Governo de Minas passa a depender, em grande medida, da definição dos palanques presidenciais no estado. A possibilidade de alinhamento com Flávio Bolsonaro ou com Lula reconfigura alianças e pode alterar a composição das chapas majoritárias.
Com a fragmentação de apoios e o peso das articulações nacionais, o cenário mineiro segue em aberto, com múltiplas possibilidades e negociações em curso nos principais partidos.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete, aos 68 anos de idade
Leia Mais
Curatela é medida excepcional e serve para proteger pessoa sem plena capacidade civil
Leia Mais
Força Nacional tem atuação prorrogada por mais 90 dias em aldeias indígenas de Mato Grosso do Sul
Leia Mais
TJMS confirma absolvição de Edson Giroto em ação da Lama Asfáltica sobre obra na MS-357
Municípios