Política / Justiça
Mulher é executada pela prima após encontrar cocaína escondida em guarda-roupa em Campo Grande
Maria de Fátima fugiu da violência doméstica em Minas e acabou morta às margens da BR-262; dupla é presa por homicídio qualificado e tráfico
05/12/2025
09:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu, nesta quinta-feira (4), uma mulher de 31 anos e um homem de 41, suspeitos de executar Maria de Fátima Alves, 40 anos, após a vítima flagrar tabletes de cocaína escondidos no guarda-roupa da prima, no bairro Moreninhas, em Campo Grande. O corpo foi encontrado no dia anterior, às margens da BR-262, com ao menos dois disparos – um na cabeça e outro no ombro.
Maria de Fátima era natural de Minas Gerais e havia chegado a Mato Grosso do Sul há cerca de três meses, tentando escapar de um histórico de violência doméstica praticada pelo ex-companheiro. Sem recursos, passou a viver em situação de rua e frequentar o Centro POP, apesar da promessa de acolhimento feita pela prima.
Em seu antebraço, a polícia encontrou tatuados os nomes dos três filhos, que vivem hoje sob a guarda do pai, o agressor de quem ela tentava se afastar.
Segundo o delegado Rodolfo Daltro, titular da DHPP, Maria foi até a casa da prima na terça-feira (2) para buscar documentos pessoais. Ao abrir o guarda-roupa, encontrou seis tabletes de cocaína e balanças de precisão escondidos no interior do móvel.
Temendo ser denunciada por tráfico, a prima decidiu matar a vítima. Ela contou com o apoio de um comparsa, já envolvido com o comércio de drogas.
“Porque viu a droga e com medo de ser denunciada, a prima decidiu matar a vítima e chamou o comparsa para executar o crime”, afirmou o delegado Daltro.
A polícia acredita ainda que a autora pretendia usar os documentos da vítima para abrir empresas em seu nome, como forma de dar aparência legal ao dinheiro do tráfico. Ela já teria usado esse artifício anteriormente.
Antes de ser executada, Maria pediu uma bicicleta emprestada do namorado para buscar os documentos. Horas depois, testemunhas a viram chegando à praça conhecida como Cabeça do Boi dentro de um HB20, com a bicicleta no porta-malas. O namorado relatou que ela afirmou que a prima era “perigosa”.
A dupla levou Maria até o anel viário, onde ela foi morta por volta das 20h30. A polícia apura se houve tortura, já que a vítima passou o dia inteiro com os autores.
A investigação avançou rapidamente:
O HB20 usado no crime estava estacionado na casa da autora.
No veículo, havia porções de cocaína no console e um tênis feminino, identificado como pertencente à vítima.
O comparsa, abordado ao lado do carro, confessou envolvimento com o tráfico.
Dentro da residência, a polícia apreendeu seis tabletes de cocaína e três balanças.
A prima admitiu a existência da droga, mas tentou culpar o comparsa.
Um morador encontrou o corpo às margens da BR-262 e acionou a polícia. O delegado Gabriel Desterro, da 7ª DP, confirmou que os tiros atingiram cabeça e ombro da vítima.
A arma do crime foi descartada pela dupla e ainda é procurada.
A prima e o comparsa foram presos em flagrante e respondem por:
Homicídio qualificado
Tráfico de drogas
Associação para o tráfico
A Polícia Civil já pediu a prisão preventiva de ambos.
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