Polícia / Justiça
Professor de dança que matou o pai ficará internado por tempo indeterminado
Diagnóstico de esquizofrenia levou à absolvição imprópria e à aplicação de medida de segurança
05/12/2025
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, absolveu impropriamente o professor de dança Sahu Abel Heyn, acusado de matar o pai, Hugo Abel Heyn, em junho de 2025, no bairro Maria Aparecida Pedrossian. A decisão, publicada nesta quinta-feira (4), determina que o réu seja submetido a medida de segurança com internação por tempo indeterminado, com permanência mínima de um ano.
De acordo com a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o crime ocorreu por volta das 23h do dia 26 de junho. Sahu chegou à casa da família com garrafas de cerveja e iniciou uma discussão com o pai, que assistia à televisão na sala. Após o desentendimento, Hugo se retirou para o quarto.
Inconformado, o acusado foi até a cozinha, pegou uma faca, arrombou a porta do quarto e desferiu diversos golpes na vítima. Ele também desferiu chutes e socos. A mãe de Sahu presenciou parte da agressão e tentou intervir, mas precisou sair para pedir ajuda a vizinhos. Hugo morreu ainda no local.
Laudo psiquiátrico e absolvição imprópria
Um laudo psiquiátrico anexado ao processo em novembro concluiu que Sahu sofre de esquizofrenia paranoide e que, no momento do crime, era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito de suas ações ou de agir conforme esse entendimento. O documento o classificou como inimputável.
Com base nesse diagnóstico, Ministério Público e defesa concordaram com a absolvição imprópria. Na sentença, o juiz reconheceu a materialidade do homicídio e a autoria atribuída a Sahu, mas aplicou o artigo 26 do Código Penal, que isenta de pena pessoas que, em razão de doença mental, não possuem discernimento para seus atos.
A prisão preventiva do professor foi convertida em medida de segurança de internação, que será cumprida por tempo indeterminado, sujeita a avaliações médicas periódicas. O local da internação será definido pela Vara de Execução Penal.
Fuga, prisão e depoimentos
Logo após o crime, Sahu fugiu e foi preso dois dias depois pela Guarda Civil Metropolitana, enquanto caminhava pela Avenida Toros Puxian. Encaminhado à delegacia, confessou as agressões, mas evitou detalhar os motivos. Em 8 de julho, o MPMS apresentou denúncia por homicídio qualificado por motivo fútil.
Em depoimento, o professor afirmou ter cometido o crime devido a supostos abusos cometidos pelo pai, o que foi negado pela mãe, Sandra Regina Inverso Ramires Heyn. Ela relatou aos investigadores que o filho sofria de esquizofrenia, já havia tido diversos surtos dentro de casa e, em uma das crises, tentou tirar a própria vida, sendo socorrido por um vizinho.
A internação de Sahu será monitorada por equipe multidisciplinar e revista periodicamente, conforme determina a legislação vigente.
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