Política / Justiça
Conselho Nacional de Justiça inicia inspeção no TJMS e reforça que ação não é “caça às bruxas”
Equipe com 40 servidores avalia setores administrativos e judiciais; público pode apresentar denúncias até sexta-feira (7)
05/11/2025
13:00
DA REDAÇÃO
Magistrados participam da abertura da inspeção, que analisará os procedimentos do TJMS até sexta-feira ©Mylena Fraiha
Uma equipe com 40 servidores do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciou, nesta quarta-feira (5), uma ampla inspeção no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A ação abrange os setores administrativos, judiciais de 1º e 2º graus e as serventias extrajudiciais, e segue até sexta-feira (7).
A visita ocorre um ano após a deflagração da Operação Última Ratio, da Polícia Federal, que revelou um esquema de venda de decisões judiciais e resultou no afastamento de cinco desembargadores da Corte.
Durante a abertura dos trabalhos, o ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, conselheiro do CNJ e integrante do Tribunal Superior do Trabalho (TST), destacou que a inspeção não tem caráter punitivo.
“Quando o CNJ vem a um estado, ele abre uma oportunidade para que a sociedade diga onde o tribunal não está prestando um bom serviço. Nós recolhemos essas informações e transformamos em recomendações e diálogo transparente, buscando soluções”, afirmou.
Caputo reforçou que o objetivo é identificar falhas e propor melhorias, e não instaurar processos disciplinares. Ele explicou que, se forem encontradas irregularidades administrativas, o CNJ aplica as sanções cabíveis; se houver indícios de crime, os casos são encaminhados à Polícia Federal.
O coordenador da inspeção, desembargador Arnoldo Camanho, do TJDFT, também destacou o caráter técnico e cooperativo da visita.
“Não se trata de uma ‘caça às bruxas’. O trabalho é colaborativo. Quando algo não está conforme o CNJ orienta, fazemos ajustes e recomendações”, explicou.
A inspeção ocorre a cada dois anos e inclui 11 magistrados entre os integrantes da equipe. Serão analisados gabinetes de desembargadores e juízes de primeira instância, além de cartórios, contratos administrativos, tecnologia da informação, precatórios e gestão de pessoas.
“Por exemplo, se um juiz tem processos parados por mais de 120 dias, verificamos o motivo e cobramos providências. O foco é a eficiência, não a punição individual”, completou Camanho.
Durante o período da inspeção, o CNJ abrirá canal direto com a população, permitindo que cidadãos denunciem lentidão processual, falhas de atendimento e irregularidades em cartórios.
Os atendimentos presenciais ocorrem no Salão Pantanal, na sede do TJMS, mediante agendamento prévio pelo WhatsApp (61) 2326-5494.
Horários de atendimento:
Quarta-feira (5/11): das 10h às 12h e das 14h às 17h
Quinta-feira (6/11): das 9h às 12h e das 14h às 17h
Sexta-feira (7/11): das 9h às 12h e das 14h às 17h
“Durante esses dias, se alguém procurar a Corregedoria dizendo que o processo não anda, nós ouvimos, anotamos e verificamos o que está acontecendo”, afirmou o desembargador.
Deflagrada em 24 de outubro de 2024, a operação investiga corrupção e venda de sentenças no TJMS. Foram cumpridos mandados em Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo e Mato Grosso.
Cinco desembargadores foram afastados pelo STJ, e quatro continuam fora das funções por decisão do CNJ.
As investigações apontam movimentações financeiras atípicas, aquisição de bens de alto valor e decisões judiciais emitidas em tempo recorde — uma delas em apenas 7 horas e 31 minutos. O caso está sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
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