Campo Grande (MS), Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2025

MUNDO

Trump recusa garantir segurança da Ucrânia e reforça pressão sobre Zelenski

Presidente dos EUA prioriza acordo de exploração mineral e transfere responsabilidade para Europa

27/02/2025

07:31

DA REDAÇÃO

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (26) que não oferecerá garantias de segurança à Ucrânia, reforçando que essa responsabilidade cabe aos países europeus. A declaração ocorre no momento em que o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, está em Washington para assinar um acordo de exploração de minerais com os EUA.

Zelenski buscava garantias formais de segurança de Washington para evitar que um possível cessar-fogo com a Rússia se transforme em uma oportunidade para Moscou reorganizar suas forças militares e lançar novos ataques. No entanto, Trump deixou claro que não irá intervir. "A Europa terá que fazer isso", disse o republicano.

Acordo de minerais e impasse diplomático

O acordo em negociação entre EUA e Ucrânia prevê a exploração de titânio, lítio, urânio e minerais de terras raras no território ucraniano, recursos considerados estratégicos para a indústria global.

📌 Principais pontos do acordo:
✔ Exploração de minerais estratégicos por empresas americanas na Ucrânia
✔ Nenhuma garantia formal de segurança militar por parte dos EUA
✔ Possível envio de forças europeias para estabilização pós-guerra

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, argumentou que a presença econômica dos EUA nos recursos naturais da Ucrânia representa a melhor garantia de estabilidade para o país. "Eu chamo isso de garantia econômica", afirmou.

Por outro lado, Trump exigiu uma compensação de US$ 500 bilhões pelos investimentos americanos na guerra, número considerado exagerado, já que os gastos reais em três anos foram pouco mais de US$ 100 bilhões. Após a recusa de Zelenski, o líder ucraniano passou a ser alvo de ataques verbais de Trump, que o chamou de "ditador" e "comediante fracassado".

Impacto na geopolítica e reação europeia

A posição dos Estados Unidos gerou preocupação na Europa, levando líderes como o chanceler alemão Friedrich Merz a sugerir que a Alemanha deve buscar independência dos EUA. O afastamento de Washington também fortalece a percepção de que os americanos estão buscando a normalização das relações com a Rússia.

Enquanto isso, a proposta de Trump para que França e Reino Unido enviem forças de paz à Ucrânia gerou debate. Estima-se que uma operação desse tipo exigiria 100 mil soldados, um número superior ao que Europa e OTAN podem disponibilizar sem comprometer outras missões estratégicas.

Histórico de acordos frágeis

A Ucrânia já enfrentou compromissos internacionais sem respaldo militar no passado. Em 1994, o país assinou o Memorando de Budapeste, abrindo mão de seu arsenal nuclear em troca do respeito à sua soberania. No entanto, quando a Rússia anexou a Crimeia em 2014, o tratado se mostrou ineficaz, pois nenhum dos signatários – EUA, Reino Unido ou Rússia – interveio militarmente.

O cenário atual coloca a Ucrânia diante de mais um acordo incerto, no qual o apoio econômico pode não ser suficiente para garantir sua segurança militar. Enquanto Zelenski segue pressionando por garantias concretas, a resposta dos EUA e da Europa definirá os próximos passos do conflito.


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