POLÍTICA
Deputados estaduais criticam ação da Polícia Militar contra indígenas em protesto por água em Dourados
Parlamentares pedem revisão de abordagem policial e reforçam necessidade de solução para crise hídrica nas aldeias Jaguapiru, Bororó e Panambizinho
27/11/2024
11:25
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A atuação da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul durante o protesto de indígenas que bloquearam a rodovia MS-156 em Dourados gerou intensos debates na Assembleia Legislativa do Estado (ALEMS) nesta quarta-feira (27). Os manifestantes reivindicam acesso a água potável nas aldeias Jaguapiru, Bororó e Panambizinho, onde vivem cerca de 20 mil pessoas.
Deputados estaduais repudiaram a ação da tropa de choque, denunciada por suposta violência e repressão, e cobraram soluções efetivas para a crise hídrica que atinge as comunidades indígenas.
A deputada Lia Nogueira (PSDB) expressou indignação com a abordagem policial, classificando-a como "revoltante". "Recebi imagens da truculência da tropa de choque contra os índios. Essa repressão é inaceitável e apenas intensifica o sofrimento de quem luta por um direito básico: água tratada", afirmou.
Pedro Kemp (PT) também criticou a atuação policial, ressaltando a gravidade da crise hídrica. "É inadmissível que, em pleno século XXI, milhares de pessoas estejam sem acesso à água. O protesto é pacífico e por um direito essencial. Se algo grave acontecer, a responsabilidade será do Estado e da polícia", declarou.
Enquanto a maioria dos deputados criticou a abordagem policial, Coronel David (PL) defendeu a ação como necessária para desbloquear a rodovia. "Os policiais cumpriram ordens para garantir a segurança e a fluidez do trânsito", afirmou. Já a deputada Mara Caseiro (PSDB) destacou que perfurações de poços nas aldeias estão previstas para iniciar em 40 dias, mas lamentou a demora na solução do problema.
Por sua vez, Zé Teixeira (PSDB) apontou a responsabilidade da União pela situação. "O Governo Federal é quem tutela os indígenas e deveria garantir a segurança e o fornecimento de recursos para resolver a crise", disse.
O presidente da ALEMS, deputado Gerson Claro (PP), informou que a Mesa Diretora vai apurar os fatos e cobrar explicações dos órgãos competentes. Além disso, parlamentares, como Zeca do PT, pediram que a Funai esclareça se autorizou a entrada da tropa de choque em território indígena.
A crise hídrica nas aldeias de Dourados não é recente, mas se agravou pela ausência de investimentos federais para infraestrutura de abastecimento. Projetos como a perfuração de poços e a instalação de redes de água, já apresentados, ainda aguardam liberação de recursos.
A mobilização indígena, que começou como um protesto pacífico, busca chamar atenção para um problema que afeta a dignidade e os direitos das comunidades locais.
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