MANIFESTAÇÃO
Policiais civis entram em paralisação por três dias e atendem apenas casos urgentes
Movimento reivindica melhoria salarial prometida pelo governo, afetando serviços em delegacias de Mato Grosso do Sul
01/10/2024
20:00
DA REDAÇÃO
Depac, no Centro, um dos locais com manifestação dos policiais civis em campanha pela promessa do 6º melhor salário do País ©Henrique Kawaminami
Os policiais civis de Mato Grosso do Sul iniciaram, nesta terça-feira (1º), uma paralisação que se estenderá pelos próximos três dias, em protesto contra o governo estadual, exigindo uma proposta de reajuste salarial que atenda à antiga promessa de elevar os vencimentos da categoria ao sexto maior do país. De acordo com o Simpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), os atendimentos nas delegacias serão restritos a casos de prisão em flagrante, violência contra menores e medidas protetivas relacionadas à violência doméstica. A paralisação ocorrerá entre as 8h e 20h.
Segundo o presidente do Simpol, Alexandre Barbosa da Silva, o movimento, inicialmente planejado para durar um dia, foi ampliado para três, com a expectativa de que o governo responda a uma contraproposta feita pelo sindicato na semana passada. O governo havia sugerido duas alternativas: incorporar um auxílio-alimentação de R$ 400 e conceder um abono de 8% aos menores salários ou retirar a faixa salarial inicial de R$ 5,7 mil, aumentando o salário base para R$ 6,7 mil. Ambas foram rejeitadas. Os policiais também pedem um aumento de 100% no auxílio-alimentação, um valor destinado a despesas com saúde, no valor de R$ 1,5 mil, semelhante ao criado para os delegados, e um aumento salarial de 18%.

Alexandre Silva classificou como um "descaso" a falta de acordo com o governo, destacando que, embora o movimento afete a sociedade, não há outra alternativa para chamar a atenção do poder público. Durante a manhã, policiais se reuniram em frente à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento), que é responsável pelo registro de boletins de ocorrência, cujos serviços serão prejudicados pela paralisação. Outras delegacias, como a Cepol e a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), também terão suas atividades afetadas.
Os manifestantes levaram faixas e direcionaram suas cobranças ao governador Eduardo Riedel, alertando que, sem avanços nas negociações, o movimento pode evoluir para uma greve geral. Uma comissão de deputados estaduais foi formada para mediar o diálogo entre os policiais civis e o governo.
Mato Grosso do Sul é um estado fronteiriço, onde há intensa atuação de facções criminosas. Segundo o Simpol, os policiais civis desempenham um serviço de excelência, o que reforça a necessidade de reconhecimento e valorização por parte do governo. A categoria argumenta que a melhoria salarial é essencial para que possam continuar desempenhando suas funções com eficiência.
Em nota, a Secretaria de Administração e Desburocratização (SAD) informou que o governo mantém a expectativa de diálogo e está aberto a um possível acordo com os policiais civis.
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