Ampla Visão
O peso do Senado, das vaias, Morenão, o fim do humor
De vaias a disputas no Senado, incertezas partidárias, CPI dos ônibus e polêmicas no humor: o cenário político e social ferve no Estado e no Brasil
20/06/2025
13:00
MANOEL AFONSO
As vaias da ministra Simone Tebet em Três Lagoas renderam manchetes. Em ano pré-eleitoral, por conta de fatores notórios, não surpreende. Pode ou não influir no futuro político dela. Reverter os efeitos de vaias é difícil. Simone, alvo da ira de seus ex-eleitores inclusive, manifestaram-se como permite a democracia.
Diferentes, mas ligados. Simone deve manter sua candidatura ao Senado, apesar do ambiente desfavorável. Enquanto isso exercita a paciência esperando o desenrolar do quadro sucessório nacional, onde seu partido é parceiro de Lula. Aos mais íntimos confessa que cultiva o sonho de ser candidata a vice-presidente de Lula.
São Paulo odiava Getúlio Vargas pelo golpe de estado contra o paulista Washington Luiz em 1930 e por derrotar a Revolução de 1932. Para ir à inauguração do Estádio do Pacaembu em 1940, Getúlio transferiu a festa de 1º de Maio do Rio para São Paulo. Não deu outra: foi recebido com aplausos e desfilou em carro aberto inclusive.
Palanque político não é igual aos jogos de tênis onde é proibido vaiar; enquanto os aplausos são disciplinados e permitidos entre os games. O palanque político não exala elegância do tênis ou do público do teatro numa noite de ópera. Pelo contrário; exala ranço, vingança e às vezes chega as raias descabidas do ódio.
Heranças do Império Romano. Ao banir um grupo popular de atores, o imperador Tiberius foi a primeira vítima da vaia. Nas arenas não havia terceira via para os gladiadores: glória ou morte. Enquanto isso, nos festivais de teatro da Grécia, as manifestações sonoras (palmas) do público representavam a aprovação; ou desagrado (assobios) pelo espetáculo.
A condenação do humorista Leo Lins à pena de 8 anos e 3 meses de prisão, multa de R$ 1,4 milhão e R$ 300 mil por danos morais coletivos está dando o que falar na mídia. Discute-se os limites do humor, a liberdade de expressão e a intolerância. Neste ritmo os humoristas terão que mudar de profissão? Um tema delicado.
Outra ex-candidata ao Planalto, senadora Soraya Thronicke, de saia justa. Ela é acusada pelo senador Hiran, presidente da CPI das Bets, de usar argumentos fantasiosos para se promover. Ele se referiu às supostas ameaças à integridade física alegadas por Soraya. Delírios de fim de mandato: sem grupo e sem padrinho.
Deputados Zeca do PT e Paulo Duarte denunciam o sucateamento dos órgãos federais no estado. Casos, por exemplo, da Funasa e Funai, com verbas curtas, sem condições de melhorar suas estruturas e o atendimento. Ambos reconhecem que esse descaso não é coisa de agora. Aí a gente conclui: desprestígio nosso ‘lá em cima’.
Antes das urnas, a guerra das pesquisas. Com menos de 7 mil votos, Bandeirantes vive aquele clima gostoso de eleições interioranas. Sua localização facilita a presença de deputados. Aliás, em 2022, o deputado Marcio Fernandes liderou com 426 votos, seguido por Jamilson Name (342 votos) e Lucas de Lima (341 votos).
Embora Riedel e Reinaldo recomendem calma aos companheiros quanto ao futuro caminho partidário a seguir, há um clima de apreensão. Como deu em nada a sonhada fusão com o Podemos, volta a ser possível a federação com o MDB e Republicanos. Enfim, muito papo e nada decidido. Mas e o eleitor, foi consultado?
Assim o ex-deputado Felipe Orro define a sua atual fase; tempo para a família e de seus afazeres da vida rural, sem compromissos estressantes e tantas alertas do celular. Sua opinião é que o ex-governador Reinaldo continua dando as cartas e o admira pela sua competência e estilo de ouvir os companheiros.
“Vejo a solução ‘fácil’ de renovar a frota: é necessária, porém a que custo? O atual consórcio tem interesse empresarial em investir quase meio bilhão de reais, para renovar toda a frota, com um contrato que vence daqui a 7 anos? E se esse consórcio sair, quem o irá substituir?” (Fayez José Risk – arquiteto urbanista)
O que esperar do final da rumorosa CPI? O que realmente poderemos ter depois? Qual a saída prática e exitosa do episódio? O estudioso arquiteto compara o previsível final desta CPI com aquele velho ditado popular que diz: “cachorro correndo atrás de um carro, quando este para, ele não sabe o que fazer.”
“Cabe ao Poder Judiciário e em especial a este Tribunal, proteger direitos fundamentais, preservar a democracia constitucional e buscar a eficiência da Justiça brasileira. Para fazê-lo, precisamos de contenção. Não nos é legítimo invadir a seara do legislador. O respeito ao dissenso e à convivência democrática são lições também para todos os Poderes e todas as instituições.”
Muitos políticos fazem dos filhos, herdeiros (monarquia particular) na vida pública. Não é o caso do ex-governador José Fragelli, falecido em 30 de abril de 2010 aos 94 anos de idade. Seus dois filhos, Nei Fragelli e Nelson Fragelli, optaram pela vida discreta. Ambos engenheiros; Nelson reside aqui na capital e Nei na Europa.
Quanto custaria sua reforma? Com esse futebol medíocre atual não há público compatível. Ele foi construído numa outra época. É boa a intenção dos deputados Pedrossian Neto, Gerson Claro e outros deputados envolvidos, mas acho que essa não é saída. Cara demais! O Morenão não pode ser o salvador do nosso futebol, empobrecido e refém de aproveitadores.
A disputa que irá merecer atenção maior em 2026 será do Senado. Observadores avaliam que a maioria vai garantir avanços em pautas importantes para o próximo Governo. Em jogo, 54 cadeiras (dois terços da Casa). A oposição só poderá fazer o enfrentamento ao STF se tiver a maioria. Lula já advertiu desses riscos.
Certa feita tentaram fazer aqui o ‘Pedrossianismo sem o Pedro’. Por uma série de fatores não deu certo. Agora ouço seguidamente a tese do pessoal do ‘centro’ em tentar emplacar o chamado Bolsonarismo sem o ex-presidente. São personagens e cenários diferentes – até incomparáveis. Concorda?
O brasileiro sem saber se vai pro arraial ou procura um bunker.
Na política você tem que ter lado. (Ministra Simone Tebet)
Tão perto da 3ª Guerra Mundial e tão longe de ter a casa própria.
Se for pra começar a 3ª Guerra, que seja em agosto, que nem tem feriado.
Não passo o pano, mas prender por piada não dá. (Dani Calabresa – sobre Leo Lins)
Se um canibal aprender a usar garfo, isso é considerado progresso? (Stanislaw J. Lec)
O progresso pode ter sido benéfico, mas agora está indo longe demais. (Ogden Nash)
É um desastre contratar no Brasil, pois as pessoas estão viciadas no Bolsa Família. (Ricardo Faria – ‘Rei do ovo’)
Já faz muito tempo, mas ainda lembro do tempo em que o ar era limpo e o sexo sujo. (George Burns)
Ah, não! Pode parar! Sou professora, as férias estão chegando, já parcelei 7 dias na praia em suaves prestações.
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